Cesta e Mochila

Texto inspirado em Sa Pa, cidade no Vietnã. Por Gilsimara Caresia.

 

************* A Cesta e a Mochila **********

Para a cesta era uma manhã comum, mais uma vez trilhando o caminho diário. Para a mochila, a mais pura novidade, estava animada apesar do aguaceiro e tentava, a cada espaço entre as nuvens, ver um pouco do cenário que a cercava.

Ambas seguiam pelo mesmo caminho, quem via não podia encontrar semelhanças entre as duas. Mas elas sim, se reconheceram no primeiro olhar, sabiam que, mesmo sem serem impermeáveis, eram do tipo que não têm medo da chuva, que nem a lama escorregadia e pegajosa pode deter os seus passos.

A cesta era aberta, entre suas tramas entrelaçadas vazavam sorrisos. A mochila fechada, seus zíperes mais difíceis de descerrar, mas isso não as impediu de caminhar lado a lado.

Aos poucos se conheciam… Uma rústica, acostumada a carregar alimentos, animais, crianças, tinha o contato direto com o que gera vida. A outra tecnologicamente desenhada, em seu interior se revezavam livros, computadores, celular…

Olhando-se bem, a cesta tinha formato de útero, não por acaso dela espera-se procriação. Já da mochila moderna, cobram produção. Deve ser por isso que uma tem três filhos e a outra três formações universitárias.

Nem percebiam o quanto estavam tentando atender a expectativa dos que lhes cercam.
As horas foram passando, os passos tornavam-se mais fáceis quando em conjunto.

Então, chegou a estrada, a bifurcação, a direita e a esquerda que separariam novamente a vida das duas para sempre.

Na despedida, um abraço e um sorriso. Nos olhos uma certeza: seja cesta ou mochila, ambas carregam dentro de si o peso do mundo.