Escolhas, Poeira

Um dia, andando pela Índia e olhando a poeira das portas, pensei sobre as poeiras sobre os sonhos.... Texto por Gilsimara Caresia

************** Escolhas e Poeira ***************

Se pegou pensando no último banho de chuva, do vento no rosto, de sair sem destino, do palpitar do coração… da areia que insistia em grudar no colchonete enquanto ele olhava estrelas.
Memórias longínquas. Não se lembrava mais de quando era jovem, do que queria ser quando crescesse.
Olhando para trás, ahhh…preferia não ter crescido.
Falaram que mais importante do que viver, é ter. Agora ele acumula.
Entre o acordar e dormir acumula poeira… sobre os sonhos que não viveu, os amores que por medo, perdeu, as viagens que não fez… poeira sobre a guitarra, o pincel, a fantasia….
Não sabia quando exato as asas viraram raízes… raízes de erva daninha.
Daninha como a maioria que ele nunca imaginou fazer parte, mas que se alastra, engole e destrói os diferentes.
Já não sentia, não se movia com alegria. Passou a se mover cada vez menos, perdeu os movimentos…
Deixou de ser móvel, passou a ser um móvel.
Acordou como madeira, ainda empoeirado….